R7
Um traficante brasileiro, conhecido pelos apelidos de Bill Clinton e Cabeça Branca, se tornou o homem mais procurado no Paraguai. Após a prisão nos últimos meses de barões do tráfico na fronteira do Brasil com o Paraguai - como Jarvis Ximenes Pavão, Erineu Domingos Soligo, o Pingo, Paulo Seco e Líder Cabral Arías -, capturar Luiz Carlos da Rocha virou prioridade, tanto para a Secretaria Nacional Antidrogas do país vizinho, como para a PF (Polícia Federal) brasileira.
Até o Rio de Janeiro está mobilizado. A ONG Disque-Denúncia do Estado oferece recompensa de R$ 1.000 para quem forneça informações que levem à prisão do criminoso. A foto dele está estampada no site Procurados (www.procurados.org), mantido pela organização. Uma fonte da ONG diz que todas as pistas são repassadas para a Interpol, polícia que age internacionalmente.
Cabeça Branca ou Bill Clinton, segundo informações de policiais que trabalham na fronteira, tem como grande negócio o envio de cocaína colombiana para a Europa, principalmente Espanha. Ele é suspeito de trocar armas com traficantes daquele país por droga.
O Brasil é usado pelo criminoso como rota. Diferentemente de outros traficantes, ele usa aviões para trazer a droga ao país. Os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) são usados para escoar o entorpecente. Na fronteira, suspeita-se que ele tenha ido para a Venezuela.
A secretaria de combate às drogas do Paraguai confirmou ao R7 que o criminoso é proprietário de inúmeros imóveis e estabelecimentos no Brasil e no Paraguai, mas mantém sigilo sobre os atuais negócios dele. A PF brasileira informou que está monitorando os passos dele e também guarda segredo sobre as investigações.
Em janeiro passado, a polícia paraguaia tinha pistas sobre seu paradeiro e montou um cerco para o prender. Entretanto, Cabeça Branca conseguiu escapar e os agentes envolvidos na operação passaram a ser investigados por supostamente terem recebido propina do traficante.
Paranaense de Uraí, o traficante brasileiro seria proprietário de fazendas nas regiões de Yby Yau, Rio Verde e Pacola, no Paraguai. Além da cocaína colombiana, ele também seria fornecedor de maconha para o complexo de favelas do Alemão, na zona norte do Rio, segundo um policial civil.
Droga no bucho de boi
O traficante ganhou notoriedade no país em 2005, quando foi apreendido no mercado São Sebastião, na Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, uma tonelada e meia de cocaína pura vinda da Colômbia e que estava escondida em buchos de boi. Segundo autos do processo que correu na Justiça Federal de Goiás, Cabeça Branca era dono da droga, que seria exportada para Portugal. O irmão dele, conhecido como Tobe, acabou preso, e foi condenado.
Cabeça Branca também respondeu processo por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro na Justiça Federal do Mato Grosso do Sul. Bens de membros da quadrilha foram colocados em leilão e impressionam: eram três apartamentos, duas casas, três lotes, cinco carros, uma lancha e uma carreta para a embarcação. O patrimônio foi avaliado em R$ 1,4 milhão.
Os autos indicavam, à época, que a quadrilha de Cabeça Branca atuava não só no Paraguai e no Brasil, mas também no Peru, Colômbia e Bolívia, No Brasil, o bando agia nos Estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Amazonas.
Só este ano, a Senad do Paraguai já conseguiu junto à Justiça a expulsão de seis traficantes brasileiros de seu território. Um outro foi extraditado. O órgão, que atua em cooperação com a PF brasileira, apreendeu neste ano 677 kg de cocaína, mais do que o total recolhido no ano passado, e interceptou 84 toneladas de maconha.
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